Mesa na calçada

O trabalho novo vai bem. Quem acompanha o meu twitter (miniblog aí do lado) já deve ter percebido isso. Não tenho nem muita coisa pra contar. Teve correria, teve coisa sussa, e tem projetos instigantes pra serem feitos e em andamento. Quem acompanha o flickr já viu a foto abaixo, de onde estou trabalhando:

trabalho @ bola

Alguém que conheço já diria: “Qualquer mudança é uma coisa boa e importante”, e agora começo a ver algumas coisas boas da mudança que eu não tinha visto anteriormente.

Hoje fui almoçar sozinho – lá no trabalho novo, o estúdio é pequeno e os horários não batem, e algumas pessoas mais caxias (pra piorar a situação) almoçam em casa – então é comum eu estar sozinho nessa hora ultimamente. Antes de sair, pensei alto: “iPod, né? Tô sem audiobook mas uma misiquinha vai bem” e depois de um tempo: “Ah não, vou levar um livro”.

Com o livro na mão desisti do kilo e fui à um a la carte. Sentei numa mesa na calçada. Na Faria Lima, onde trabalhava, não tem essas coisas. Alguns restaurantes chegam perto, mas hoje eu estava numa verdadeira calçada e num restaurante bom. Me deparei pensando na vida.

A cidade está perdendo essa coisa linda que são bons restaurantes com mesas na calçada. E claro, São Paulo está mal até de calçadas, vide várias avenidas. O lugar que comi era super agradável e pude reparar no povo que já venho reparando a alguns dias que passa naquele bairro. O Itaim é muito loko. Indo pro restaurante tinha uma “dondoca” na frente do cabelereiro fashion perguntando onde o motorista podia parar o carro; Passaram por mim crianças voltando a pé da escola, umas sozinhas, outras com empregada e outra com a mãe ou o pai, outra com a avó; passaram modelos ou quase modelos, gente muito bonita, não só as mulheres; passaram pedreiros e mendigos; e pela primeira vez me vi gostando do som dos motores dos carros passando na rua. O sol batia de leve e o clima estava muito agradável.

Os garçons eram gente boa pra caramba e conversavam de verdade com você, não aquele papo só estritamente servindo. Vi passar catador de papel, motoboy, carro importado, carro enferrujado, de tudo naquela frente, e mesmo assim os garçons estavam super eficientes e com tempo para conversar. Nada atrapalhava a concentração deles. O almoço estava uma delícia, tudo quentinho, ao ponto, bem temperado nada de gordura excessiva, impecável. Como é que eu não descobri isso antes?

Além de tudo isso eu ainda li. Li bastante. Um livro emprestado pelo Fernando, que conheci e que ainda trabalha no UOL. O livro é técnico sobre a minha profissão e me vi gostando novamente de ler sobre trabalho. Eu estava a um bom tempo sem ler sobre coisas que ajudassem a minha carreira. Tudo bem, tem o mínimo de leitura que sempre manti sobre as coisas, os debates com os pares lá no UOL, mas esse livro (pra quem quer saber é sobre Ruby on Rails) tem o objetivo de realmente ensinar alguma coisa, os textos que eu andava lendo eram menos práticos e mais conceituais ou de notícias.

Essas mudanças todas vieram a minha cabeça na hora do almoço naquele lugar agradável. Pra completar o clima humano do meu almoço passou uma colega de trabalho e deu um tchauzinho. Muito legal isso, encontrar alguém na rua. Eu falei “senta aí” mas ela foi ao trabalho mesmo assim, depois fiquei pensando que eu deveria ter falado: “Pronto! Agora que tem mais de um podemos tomar uma breja!”, mas o momento passou. Tudo bem, guardo a frase para a próxima vez.

Mesa na calçada, trabalho humano, interesse em evoluir no trabalho, sites instigantes pra fazer. Bem, acho que agora, depois de 3 semanas, posso realmente dar uma opinião mais concreta sobre o trabalho novo. Acho que estou gostando sim. Estou feliz. E imagino que eu não vá me decepcionar tão cedo com o novo job.

Queria falar mais da mesa na calçada e acabei falando de trabalho.
Desejem-me sorte, e eu desejo pra vocês também. E lembrem-se: “Qualquer mudança é boa”.